Belo Horizonte, 23 de fevereiro de 2012

em Lourdes



HOW DO YOU DO?

Cris Guerra Cris Guerra
12/12/2011
Por André Senna


Coragem é fundamental para se lutar uma guerra. Cris faz jus ao seu sobrenome e, se tem algo que parece não ter faltado na vida dela, até hoje, foi essa combinação: batalha e coragem. Uma bela escrita, simpatia e certa dose de impulsividade transformaram suas experiências doídas do passado em criação. Agora, ela colhe bons frutos após o sucesso dos blogs “Para Francisco” (que se tornou livro) e o “Hoje vou Assim”. Há dois anos, vive como escritora, empresária e enfrenta um desafio: transformar também a sua alegria em produção criativa. A nova fase já é vista nas diversas colunas que assina em revistas, sites e no seu mais recente empreendimento - uma linha de acessórios lançada com Lita Raies. Energia e força de vontade não lhe faltam! Cris Guerra, HOW DO YOU DO?

Idade, profissão, perfume que usa?

41 anos. Só na identidade, não no coração, porque eu não sinto isso. Profissão hoje em dia está cada vez mais difícil definir. Sou publicitária por formação, mas hoje gosto de dizer que sou também escritora. Como eu escrevi somente um livro até o momento, varias pessoas falam, “é muita cara de pau você falar que é escritora”. Mas eu pratico a escrita há um bom tempo. Eu era redatora e penso que no fundo, escrever... (pausa, pensativa) a minha forma de ver a vida é poética. Por exemplo, além do livro e de algumas colunas que escrevo hoje, eu escrevo com a moda também. Quando visto uma roupa, também estou escrevendo alguma coisa. Eu falo do dia, falo da vida e, antes de ser um blog de moda, é uma manifestação artística. No dia em que coloquei o primeiro look lá, era a vontade de um registro de vida. E vejo o tempo passando, a minha escolha daquele dia, como eu vou mudando. A foto tem esse poder, né? E a vida me obrigou a ter essa visão. Quando pequena, eu era o Zé Buscapé! Só reclamava. E as coisas que eu passei me fizeram enxergar a vida de uma maneira mais bacana. 

E o perfume?

O perfume que uso é um Loccitane que na verdade nunca é o mesmo. Mas será sempre o que tiver essência de baunilha. Na casa do meu namorado, “mora” outro frasco, o “Angel”, um Thierry Mugler. É mais adocicado, mas deve ter algo de baunilha também. A essência é forte e mais marcante. Então, quando durmo na casa dele, às vezes, eu passo este outro. No fundo é tudo da mesma família. E se você me perguntar assim: “qual cheiro você tem?”, eu diria: “um cheiro de baunilha!” (risos) As pessoas de vez em quando falam: “Nossa você está cheirando a chocolate branco!” Muito bonitinho. Adoro!

Onde reside: Belo Horizonte.

Sua tríade astral para começar, você sabe? (signo solar, ascendente e signo lunar):

O meu signo solar é leão e o ascendente sagitário. Ou seja, fogo com fogo. Eu não sei o meu signo lunar. O meu filho Francisco é fogo com fogo também. Ou seja, lá em casa é a própria fogueira! Meu namorado, graças a Deus, é peixes, água. E desconfio que minha lua seja em virgem, porque eu tenho um lado organizado muito presente, apesar de ultimamente estar desorganizada, por circunstância. Isso me faz sofrer profundamente.

Em qual hora o dia começa para Cris Guerra? Conte-nos um pouco, até quando ele termina.

O meu dia começa às dez e termina, humanamente, entre meia noite e uma hora da manhã. Tenho sido muito notívaga. Não é uma coisa que eu gosto, mas eu sinto que produzo mais à noite. O silêncio da noite é muito gostoso para pensar. Mas se eu pudesse escolher - e ainda quero conseguir isso - eu dormiria mais cedo e o meu dia começaria às oito. Não! Começaria às sete, porque aí eu faria ginástica. A maior dificuldade hoje para mim é me adaptar a essa “não-rotina”. Quando eu vivia uma rotina diária (época que trabalhava em uma agência de publicidade), por mais que fosse difícil e eu precisasse encaixar diversas coisas no dia, eu conseguia me organizar bem. Porque existiam horários definidos: hora certa para estar ali, sair dali, levar o filho em algum lugar necessário na hora do almoço. E agora não. Tenho compromissos aleatórios. Por exemplo, hoje eu tinha que estar aqui as 16h30 para a nossa entrevista. Antes, fui na Cupcake (loja multimarcas em BH),  às 15 horas, tratar de um negócio. Isso às vezes é bom, mas as outras coisas a fazer, sem horários marcados, começam a ficar incompatíveis. Quando você tem um horário para entrar e outro para sair, é mais fácil se planejar. Meu atual desafio é me encaixar nessa “não-rotina”! Parece ser o sonho de todo mundo, mas sai da rotina para você ver, não é fácil!

E o que não pode faltar nesse seu dia?

Rir! Aqui nós rimos muito juntos. Faz dois anos que me tornei autônoma e há nove meses fiquei sócia do Tiago (Tiago Batittuci). A gente troca muitas idéias, sabemos ouvir um ao outro, existe uma sintonia muito boa. Mas tem momentos em que o trabalho fica um pouco desesperador, né? Então, se não houver a hora para você morrer de rir, não dá. É quase um bálsamo mesmo, uma válvula de escape.

Lê com freqüência alguma publicação?

Leio algumas colunas do jornal “O Tempo”, considerando os jornais de Belo Horizonte. Também o jornal “O Metro”, que surgiu há pouco na cidade e acho interessante. Sinceramente eu tenho certa preguiça de jornal impresso, porque hoje em dia temos uma vida tão louca e você abre o jornal onde existem milhares de informações. Você vai passando as páginas e pensa: “gente, e isso ainda é só o de hoje! Vai chegar o de amanhã!” Sem falar que a maior parte são notícias ruins. Já revistas, confiro sempre a Elle, a Vogue, e um pouco da Gloss. Fora isso, eu pesquiso coisas. Penso que hoje em dia as fontes de informação são os amigos, um site, ou mesmo uma situação inesperada. Por exemplo, fui para o Minas Trend Preview e, como a gente sempre acaba conhecendo alguém, conheci a Maria Thereza Laudares, que é editora de estilo do Finíssimo (portal de moda de Brasília). Ela me indicou o site de um cara em Nova York, que só faz fotos de mulheres mais velhas. Chama-se Advanced Style. Todas chiquérrimas, acima de 60 anos. É sensacional!

E livros?

O último que eu li inteiro e mergulhei muito foi “A elegância do Ouriço”, da Muriel Barbery. Maravilhoso! É sobre um prédio em Paris e várias pessoas que moram nesse prédio. Lindo, lindo!

Mas tenho lido pouco, sabia? Me considero uma escritora que escreve mais do que lê. Durante um tempo até tive um conflito interno com isso. Hoje não mais. Claro que leio, mesmo com a falta de tempo, mas leio mais a vida, os acontecimentos ao meu redor! E acho que eu sou o resultado disso: uma pessoa que começou escrevendo os seus sentimentos, sem pensar muito no que estava fazendo. Escrevi o primeiro post e publiquei no “Para Francisco” (o blog). Tirei uma foto e coloquei no “Hoje vou assim” (seu outro blog). Eu nunca parei para pensar no que as pessoas iriam falar, entendeu? Foi sem me dar tanto valor e nem levar tudo tão a sério que comecei. Simplesmente fiz. Costumo dizer que foi o poder do impulso, porque sou muito impulsiva. Aquilo que eu gastava dinheiro - porque eu era consumista - hoje me dá dinheiro. E minha analista foi quem me ajudou muito. Ela um dia falou: “Cris, você já parou para pensar na moda, não como uma coisa pejorativa, mas como algo bacana na sua vida? Sua avó não era tão bem vestida? Você herdou isso dela. Por quê não pode se tornar uma qualidade?” Esse comentário foi como uma chavezinha na minha cabeça e, de uma hora pra outra, mudou minha forma de enxergar a moda. Não que eu deixe de comprar, eu sempre vou consumir roupa. Mas tornei isso saudável. Escrevi um texto há pouco tempo para o jornal do MTP (Minas Trend Preview) que se chama: “Quero comer a moda”. Até publiquei no blog. Eu tenho gula da moda. Tudo que eu vejo e acho bonito eu quero vestir. Quero pra mim. Sentir como aquela saia vai andar no meu corpo, como vou ficar naquele salto alto. Essa vontade de experimentar e degustar não vai mudar nunca, mas, hoje em dia, minha relação com a moda é totalmente diferente. Não é mais uma necessidade de comprar que faz parte de um vazio. É um prazer. Hoje, eu olho uma vitrine e sei comprar. Eu penso assim: peraí, já tenho isso, isso e algo parecido com isso, vou levar este outro para combinar. Antes eu não sabia escolher, eu levava 20 peças pra casa.

No dia da nossa entrevista, Cris "foi assim".

Podemos perceber que o “Para Francisco”, de certa forma, foi também um “libertar-se”, né?

Foi. Eu tive um namorado que falava: “Cris, tenha mais contato com cada escritor. Não necessariamente você precisa ler o livro todo, mas você tem que ter contato com a textura daquele texto.” E comecei a perceber isso, que o autor deposita mesmo uma “textura” no que escreve. A Clarice Lispector, por exemplo, é densa, e eu acho que tenho muito do Guimaraes Rosa em mim. No “Para Francisco” mesmo, vejo uns jogos de palavras, uns significados entrando em algumas horas que me lembram a escrita dele. É escrever com o coração, escrevo muito com as entranhas mesmo. Acho que o “Para Francisco” foi assim. E as melhores coisas que eu já escrevi foram escritas na tristeza, porque você está num momento que realmente (pausa) né? (suspira) Tem um momento ali que te possibilita escrever, e o resultado fica muito bom. Mas agora o exercício é escrever na alegria! (risos)    

Favoritos na web?

Um site que eu visitava demais é o Oficina de Estilo. Acho maravilhoso o que as meninas conseguem fazer (as autoras do blog). Elas falam da moda num sentido prático mesmo. Visito muito o Chic também. Gosto do jeito como a Glória Kalil pensa as coisas e gosto de ver se ela está pensando parecido comigo. Às vezes, eu não concordo ou penso diferente, mas até para formar o meu pensamento como alguém da imprensa de moda, é bom.

Fora estes, acesso o Uol, o twitter - sigo alguns perfis que acho relevantes - e descubro uns tumblr’s maravilhosos, com muita imagem! Me lembrei agora de outro que eu gostava muito também: o palavraaguda.wordpress.com. É um blog sobre literatura, de um cara que cita trechos de livros. Ele seleciona fragmentos de coisas muito boas. Sabe quando você só quer dar uma “banhada” naquela coisa sensível? (risos) Ou para quando está sem tempo de ler. Eu sou do tipo que quando pego um livro, quero ter tempo de ficar mergulhada um final de semana inteiro lendo, sem parar! Mas não dá. 

Música para momentos...

Felizes: (Pensativa) Tem uma música nova que conheci há pouco tempo... é da Asa (pronuncia-se Axa). A musica se chama Jailor. Além dela, eu gosto muito de bossa nova. Aquela música Wonderful, com o Joao Gilberto cantando. Com essa musica não precisa de mais nada!

Fossa: Olha, se eu quiser chorar mesmo, é Andrea Boccelli com “Time to Say Goodbye” (Con Te Partirò), na versão que ele canta com uma outra cantora, me fugiu o nome dela agora (o emLourdes pesquisou e a cantora é a Sara Brightman). Essa música tem uma história, de quando meu pai estava doente (o pai da Cris faleceu de câncer). Me apaixonei por esse disco em uma época em que ele estava razoavelmente bem e mostrei para ele. Ele ficou tão apaixonado quando apresentei essa música para ele que disse: “É meu né?!” Claro que não tive coragem de dizer não. E essa música, desde então, sempre me lembra o meu pai. Porque ela fala sobre “a hora de dizer adeus”. Ouço quando quero chorar e tirar toda a tristeza de dentro! E também um disco inteiro do M. Ward. Tenho vários discos dele que um amigo gravou para mim depois que o Gui morreu (Gui é o pai do Francisco). Esse amigo me disse que o Gui gostava muito, mas eu não sabia, porque ele nunca tinha me apresentado. Então, antes do nascimento do Francisco, em que eu estava num momento alegre e ao mesmo tempo triste, eu ouvia esse disco o tempo inteiro. M. Ward é de uma tristeza e de uma sensibilidade pra mim. Me recorda o tempo de uma mistura de sentimentos muito grande. É muito doido pensar nisso!    

Uma marca ou estilista que você admira e por qual motivo?

Tem o Ronaldo Fraga, mas para mim ele transcende a moda. Mais que um estilista, ele é um artista que eu admiro, então não vou considerar aqui. Posso falar dois? Um é o Oscar Metsavaht, da Osklen, mas eu tenho uma grande dúvida a seu respeito: se ele é genial, ou se ele é uma farsa. Porque no começo ele me encantava muito. Tive poucas roupas da Osklen, mas penso que ele consegue fazer, de alguma forma, todo mundo achar bonito o que não é. Por outro lado, vejo nisso uma arte também.

A outra estilista, aliás, uma marca que tem me chamado muito a atenção é a Mara Mac. Há pouco tempo a Julia Valle, que é uma estilista mineira, foi trabalhar lá e penso que ela acrescentou muito. Já era uma marca que eu gostava e hoje gosto mais. Penso que marcas e roupas têm isso, a mudança. Já tive tempos de me relacionar mais com outras marcas, como a Maria Bonita, Maria Bonita Extra. Eu ainda gosto, mas chega uma hora, na moda, de descobrir coisas novas, novas possibilidades. Igual quando eu conheci a Mixer (a marca). Nossa, eu fiquei rica! Eu colocava as roupas e pensava, “gente, aqui eu sou rica!” Digo no bom sentido. Sabe quando você experimenta um "novo eu"? Acho que uma marca nova faz isso com você. E a Mara Mac tem me chamado a atenção, neste sentido.       

Depois do próprio lar, onde mais você se sente em casa?

Na casa do meu namorado. Se bem que é um pouco a minha casa também né... Nossa gente, que difícil! (pensativa) Em um bom hotel. Um hotel 5 estrelas, então, me sinto em casa demais! (risos)

O que te faz perder o sono? Falta de grana. Aquela situação de você ter que sortear a conta a ser paga. Creio que já aconteceu com a maioria das pessoas, e comigo também.

O que te tira do sério? Injustiça. Até pode parecer que eu sou uma pessoa ativista dos direitos, mas não é isso. Às vezes, até me vejo um pouco alienada quanto a vários aspectos. Para você entender o que estou falando: nós, na minha família, temos um natal das Werneck’s. É um natal onde se encontram todas as idades e gerações dessa parte da família, mesmo eu não tendo Werneck no sobrenome. Nessa casa são todos intelectuais. Eu tenho uma prima, por exemplo, que quando fomos combinar a organização desse natal, ela respondeu assim por e-mail: gente, eu não tenho tempo agora porque estou muito ocupada com o doutorado e a única coisa que eu estou fazendo fora do doutorado é chefiar a marcha contra a corrupção! (risos gerais). Não é chic? Tão surreal!?? (risos) Poxa, e eu tiro o meu chapéu para ela sabe? É uma pessoa idealista, que está ali, lutando. Ela acredita! Eu já não sou tão assim. Luto pelo que acredito, mas de maneira diferente.

Onde encontramos Cris Guerra? (restaurantes, bares, baladas... anywhere)

Tem um restaurante que eu adoro ir. O Copa, na rua Levindo Lopes. Gosto muito também do Cantina Piacenza, que é uma cantina italiana, mas tem uma carinha francesa, porque é pequenininho e eu gosto muito disso. Adoro também o A Favorita, o Café do Museu, o Udon, em Lourdes. Não tem grande novidade não, eu gosto de comer bem. E tomar espumante! Espumante me faz feliz. Ultimamente, eu e o meu namorado estamos em um ritmo tão puxado de trabalho que no restante do tempo ficamos praticamente só em casa. E o tempo anda tão frenético, que esses momentos hoje têm um valor muito grande pra mim, como estar em casa com o meu filho e o meu namorado. 

Um filme...

Bastardos Inglórios. Foi um filme que mexeu muito comigo, porque ele tem esse lado cômico, bem sarcástico do Quentin Tarantino. E tudo mais, desde os momentos iniciais, a tensão que ele conseguiu colocar naqueles diálogos, a duração de cada cena. Achei ele um dos diretores mais geniais com esse filme. Apesar do Pulp Fiction ser um filme extraordinário, com o Bastardos Inglórios eu pensei “cara, agora eu entendi o Tarantino!”. E ele realizou o desejo de todo mundo né?! Matou o Hitler!  

Existem também os “filmes da minha vida”. Quer que eu fale?!

Claro!

O “Fale com Ela”, do Almodóvar; “Tiros na Broadway”, do Woody Allen; “O Carteiro e o Poeta”, chega a ser ridículo o tanto que eu choro; “Cinema Paradiso” e, “As Pontes de Madison”. Apesar de eu não gostar da maneira como, neste último, a história é contada, aquilo que a Maryl Streep e o Clint Eastwood vivem com aqueles personagens, eu vejo um pouco da minha mãe. Talvez, ela tivesse também um pouco daquelas frustrações, daqueles sonhos. Nossa, esse é outro que eu choro assim, de morrer! O cinema é uma coisa que me emociona. Ir sozinha ao cinema para mim é igual viajar sozinho. Não há um encontro maior consigo mesmo do que quando você viaja sozinho. E eu acho que o cinema também tem esse clima.

Se não fosse publicitária e escritora, o que você seria? Atriz, com certeza.

Um lugar para visitar no mundo e porquê? Sempre Paris. Mas sou pouco viajada. Não priorizei muito viagens. Hoje em dia, a profissão está me levando a viajar. Paris eu conheci e já tinha uma história com aquela cidade, não sei te explicar o que é. Sinto que tenho uma encarnação lá, talvez eu tenha sido francesa. Acho até que fisicamente me assemelho. E lá foi muito engraçado porque eu andava pelas ruas em Paris e as pessoas me pediam informação como se eu fosse uma francesa. Eu achava o máximo. Minha mãe tinha uma história muito grande com Paris também e não pôde conhecer. Ela morreu antes de ir. E quando ela estava morrendo, ela morreu de câncer também, o meu pai falou para ela: fico te devendo Paris. Aquilo mexeu muito com todo mundo. E acho que isso aumentou minha história com Paris. Fora que eu fiquei impressionada. Eu pensava: “cara, eu quero morar nesse lugar!" É tudo muito bonito. Os cortes de cabelo são bonitos, o francês é bonito, a língua. Paris é um filme em preto e branco!

Luxo pra você é? Ir trabalhar a pé. Poder ser extremamente simples num mundo extremamente complicado. Mesmo não fazendo isso hoje, se eu morasse do lado do trabalho e pudesse trabalhar a pé, seria meu ideal. Me lembro agora de um slogan feito na época em que trabalhei na Solution, para uma campanha da Patrimar. Eles estavam lançando um empreendimento luxuoso e o texto foi da Cristiane Tasque. A frase era “Luxo é saber viver!”. Acho isso uma filosofia de vida.    

Seu desejo pra hoje? Trabalho e inspiração. Hoje e sempre.

Como você se vê nos próximos 10 anos? Menino, é tão engraçado. Eu me vejo igualzinha! Com uma ou outra ruga a mais. Tenho dificuldades em fazer projeções pro futuro, porque minha vida é tão pouco planejada e todas as vezes em que eu tentei planejar demais, eu me frustrei. Por isso, prefiro prestar atenção nos caminhos que ela me indica e ir. Tenho uma confiança muito grande de que os caminhos vão me levar para o melhor lado. Quero certamente estar escrevendo, e, quando a gente tem inteligência e capacidade de produzir coisas, não tem erro. A gente tem o ouro na mão, né?

 

Mas tenho lido pouco, sabia? Me considero uma escritora que escreve mais do que lê. Durante um tempo até tive um conflito interno com isso. Hoje não mais. Eu leio sim, mesmo com a falta de tempo, mas leio mais a vida, os acontecimentos ao meu redor! E acho que eu sou o resultado disso: uma pessoa que começou escrevendo os seus sentimentos, sem pensar muito no que estava fazendo. Escrevi o primeiro post e publiquei no “Para Francisco” (o blog). Tirei uma foto e coloquei no “Hoje vou assim” (seu outro blog). Eu nunca parei para pensar no que as pessoas iriam falar, entendeu? Foi sem me dar tanto valor e nem levar tudo tão a sério que comecei. Simplesmente fiz. Costumo dizer que foi o poder do impulso, porque sou muito impulsiva. Aquilo que eu gastava dinheiro - porque eu era consumista - hoje me dá dinheiro. E minha analista foi quem me ajudou muito. Ela um dia falou: “Cris, você já parou para pensar na moda, não como uma coisa pejorativa, mas como algo bacana na sua vida? Sua avó não era tão bem vestida? Você herdou isso dela. Por que não pode se tornar uma qualidade?” Esse comentário foi como uma chavinha na minha cabeça e, de uma hora pra outra, mudou minha forma de enxergar a moda. Não que eu deixe de comprar, eu sempre vou consumir roupa. Mas tornei isso saudável. Escrevi um texto há pouco tempo para o jornal do MTP (Minas Trend Preview) que se chama: “Quero comer a moda”. Até publiquei no blog. Eu tenho gula da moda. Tudo que eu vejo e acho bonito eu quero vestir. Quero pra mim. Sentir como aquela saia vai andar no meu corpo, como vou ficar naquele salto alto. Essa vontade de experimentar e degustar não vai mudar nunca, mas, hoje em dia, minha relação com a moda é totalmente diferente. Não é mais uma necessidade de comprar que faz parte de um vazio. É um prazer. Hoje, eu olho uma vitrine e sei comprar. Eu penso assim: peraí, já tenho isso, isso e algo parecido com isso, vou levar este outro para combinar. Antes eu não sabia escolher, eu levava 20 peças pra casa.

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