Helbert Pimenta
19/08/2011
Por André Senna
Helbert Pimenta garante que começou a dançar de verdade aos 26 anos! E em apenas 4 anos, estreava como bailarino do Grupo Corpo - a companhia de dança de Paulo Pederneiras reconhecida no mundo inteiro por suas obras - na montagem 21 e Benguelê. Com 34 coreografias no repertório, o Grupo estreia esta semana o novo espetáculo “Sem Mim” em Belo Horizonte. Nós convidamos Helbert - para nossa surpresa na data e seu aniversário (17/08) – para responder a nossa sessão. Helbert Pimenta, HOW DO YOU DO?
Idade, profissão, perfume que usa?
Completo hoje 38 anos (a entrevista foi realizada no dia 17 de agosto, aniversário de Helbert), sou bailarino, e o perfume que uso... peraí que já te falo... Armani! Sou retardado com nomes, até este eu esqueci. Risos
Onde reside:
Oficialmente em Belo Horizonte, mas passamos pouco tempo aqui.
Sua tríade astral para começar, você sabe? (signo solar, ascendente e signo lunar):
Eu sei que meu signo é Leão, quinto elemento do zodíaco, e meu ascendente Libra. Já a lua eu não sei... Mas que pergunta, heim?
Em qual hora o dia começa para Helbert Pimenta? Conte-nos um pouco, até quando ele termina.
Meu dia é bastante diferente quando estou em Belo Horizonte, então tenho duas rotinas. Uma por aqui e outra quando estamos em viagem com o Grupo.
Nos dois casos ele começa às 6 horas, sou mesmo de levantar cedo. A primeira atividade é o exercício físico, faço alongamento, flexões de braço e abdominais pra agüentar bem o dia. O trabalho no Corpo começa as 9 horas da manhã, vou sempre de bicicleta e costumo chegar antes, quando começo a me aquecer. Mesmo quando estou de folga eu gosto de passar na escola, fazer alguma aula ou curso (Helbert se refere à sede do Grupo Corpo, na Avenida Bandeirantes, em Belo Horizonte). Gosto muito dos professores que temos em BH e quanto tenho oportunidade sempre vou lá roubar uma aulinha . No decorrer do dia, bastante atividade física, que eu adoro, e dou mais valor agora que estou perto dos 40. Às 13:30h acontece uma pausa para lanche, e é quando eu como um pouco, pois 14 horas retornamos para a última hora de trabalho, que se encerra oficialmente 15 horas, em dias que não tem espetáculo. Como termina ainda no meio da tarde, resolvo coisas pessoais, como ir ao banco, e outras desse tipo. Só quando chega umas 19 horas eu penso assim: acho que agora eu vou almoçar! E a coisa não pára, pois tenho feito muitos trabalhos por aqui nas escolas, acompanhando colegas que são donos de academia, ajudando em projetos com alunos de dança, participo também de umas instituições com crianças que trabalham com arte e dança.. e isso geralmente vai até mais tarde, umas 22, 23 horas. Aí quando chego em casa e penso, agora está bom, vou começar a descansar, na verdade eu não descanso. Ligo o computador, começo a procurar música, pesquisar as coisas que eu gosto... dormir mesmo só 1 da manhã, pra acordar às 6. Estou vendo que trabalhar tem sido melhor pra mim viu!

E fora de BH? Você disse que em turnê é diferente?
Em turnê a coisa fica mais alegre ainda, aí você dorme menos. (risos) Mas sempre acordo cedo, isso não muda. É habito, acordar cedo e iniciar o dia com uma atividade física.
Quando estamos em turnê, recebemos uma planilha com nossos horários completos, informando a que horas será a saída do hotel até o término dos espetáculos a noite. Então eu já sei toda rotina do trabalho: a hora que vou sair do hotel, sei quando vou chegar ao teatro, sei o que eu vou fazer no teatro, que geralmente são aquecimentos, os 2 espetáculos, e em seguida retornar pro hotel. Então, quando estou em turnê, vou com a consciência de que esta é a minha responsabilidade, meu compromisso: cumprir com este tempo de preparo, aquecimento e as apresentações. E normalmente, lá fora, esse tempo leva umas 4 horas no total. Aí, no tempo livre eu me pergunto: o que vou fazer? Geralmente eu e o restante do grupo vamos passear, divertir, sem perder a consciência do compromisso no dia seguinte. Agora por exemplo já recebemos o organograma dos próximos meses. Quando terminar a turnê no Rio (após Belo Horizonte o Corpo fará temporada no Rio de Janeiro), antes de passarmos por outras cidades brasileiras, nós vamos pra Londres e Lion, então eu já recebi todo o meu roteiro, já sei os dias que terei de folga e os horarios que eu terei que estar no teatro. Serão em media 20 espetáculos em uma viagem de 45 dias. Aí eu penso... OBA! Por mais que eu já tenha visitado, esta deve ser a sétima vez pra Lion, e Londres a segunda, sempre tem novos lugares pra conhecer e curtir. E o físico, graças a Deus, ainda agüenta!

O que não pode faltar nesse seu dia?
Olha, certamente é uma coisa contraditória, mas vou te dizer que é uma cervejinha! Cara... não pode faltar não. É complicado, claro que não exagero, mas sempre tem “umazinha”.
A cerveja para mim é como um relaxante muscular. Uma vez eu fiquei um bom tempo tomando remédio para dor, passei quase 3 meses com a barriga doendo muito aí, minha mãe falou comigo que eu precisava eliminar as toxinas, pelo tanto de anti-inflamatorio que eu estava tomando. Ela disse: “toma uma cervejinha para relaxar!” É geralmente no jantar, eu tomo e penso assim: nossa que maravilha! Mas só uma latinha. E no domingo não!
Lê com freqüência alguma publicação?
Leio mais jornais. O Estado de Minas sempre que posso eu compro, até mesmo pela internet. Gosto de ler os de Minas, o Estado de Minas, O Tempo...Outras publicações eu leio mais quando vemos alguma matéria do Corpo, a gente fica conhecendo muita publicação nova por este motivo.
Último livro?
(Helbert pega o livro na estante) Este aqui, “O mapa de um desejo impossível”. Foi uma amiga do trabalho que me emprestou, a Candinha. Pedi para ela porque estava sem uma leitura para esta viagem. Mas de livros em geral, sou fã da história do Don Quixote, e leio muitos livros espíritas também. Não sou espírita cardecista nem nada, mas leio Zibia Gaspareto, Ruben Alves, porque acho as histórias bonitas e sempre intigrantes, que me “puxam” um pouco. Somente por isso, não por motivo religioso.
Favoritos na web?
Tem um site que se chama UBUweb, eu acesso muito. Ele tem todo tipo de mídia digital, coisas antigas, dos anos 50... tem poesia, dança, música. Tem uns filmes malucos também, tipo uma borboleta voando por 1 hora, coisa muito louca. E blog eu não leio, acho confuso. Também tenho perfil em algumas páginas de relacionamento. Eu não gosto mas utilizo da minha forma. O Facebook por exemplo eu uso mais para divulgar trabalho, twitter eu tenho mas não entro, e Orkut já abondonei. No geral gosto mais do tête-à-tête que de internet. Minha namorada, a Willie reclama que eu não falo muito com ela pela internet. Uma vez escrevi uma coisa e depois fiquei mal porque interpretaram errado. Mas se você coloca na rede, é possível de acontecer, então paciência.
Música para momentos...
Felizes: Para mim é O Rappa. Aquela: “Se meus joelhos não doessem mais, diante de um bom motivo que me traga fé...”. O Pescador de Ilusões.
Fossa: Cara pra um momento de fossa eu acho que Djavan.. qualquer música dele. Acho bonito, até gosto mas acho as musicas dele aquela coisa muito “cabeção”. Meio deprê sabe? Nada que me faça suicidar, mas é assim! Risos... É música de fossa, mas me faz querer sair dela.
Uma marca ou estilista que você admira e por qual motivo?
Olha, eu sou muito “mulambo”, mas minha namorada agora cismou... porque ela é quase minha personal stylist, então ela me compra Calvin Klein e eu tenho adorado. Mas se fosse eu mesmo, sem a ajuda dela, gosto da Zara, acho bacana e acompanha o bolso do brasileiro!
Depois do próprio lar, onde mais você se sente em casa?
No trabalho! Sim, no trabalho me sinto em casa!
O que te faz perder o sono?
Eu acho que alguma chateação. Que me dá insônia né? Quando estou chateado com alguma coisa do dia, uma cobrança do chefe e você ainda não tem solução pra aquilo... Em nós artistas isso é muito comum. Você fica martelando na cabeça alguma coisa que não conseguiu ainda trabalhar ou melhorar na criação.
O que te tira do sério?
A mentira. Mesmo que eu não tenha nada a ver com a vida da pessoa que está mentido. Se eu vejo mentira de perto, fico mal. Me tira do sério.
Onde encontramos Nem Pimenta? (restaurantes, bares, baladas... anywhere)
Em uma baladinha você pode me encontrar. Em BH eu gosto muito da Obra, para “bater uma cabeça” ainda está muito bom. E gosto do Paco Pigalli também. Por demais acompanho uns colegas as vezes, tem os amigos da banda da união latina que falam: “Vamos tocar em algum lugar?” Eu falo: “Vão borá..” Aí você acaba achando outros lugares interessantes.
Um filme...
Sou viciado em filme de faroeste, desde sempre fui. Tem um que se chama “O Bom, o Mau e o Feio”com o Clint Eastwood, e os outros dois atores eu não me lembro. É o filme que eu mais assisto quando eu paro e penso assim: “Quero ver um filme...” é esse! É um marco de época para mim!
Se não fosse bailarino, o que você seria? Juiz! Estudaria direito. É uma vontade recente, mas é uma coisa que está na cabeça, tenho interesse.
Um lugar para visitar no mundo e porquê?
O Líbano. Mas digo pelo povo, porque se for pela política, desiste! Acho que ninguém nunca marcou férias pra lá, eu nunca conheci um! Mas é um povo fantástico. Tive contato com as pessoas de lá, e uma coisa me chamou muito a atenção: as crianças lá estudam línguas na escola para estarem preparadas para conversar com as pessoas que chegam de outros lugares... eu perguntei pra uma criança de 5 anos o que ela fazia no Líbano, ela me respondeu, “eu estudo línguas”. Eu perguntei, mas qual língua? Ela me disse: “estudo espanhol, alemão, inglês, e outras mais”. Aí perguntei para a professora dela, porque? Ela me disse: “precisamos falar para as pessoas que nós não somos só isso aqui, um lugar que vive em guerra... essa coisa de guerra santa, não existe só isso! Mas existe o povo, que é gostoso. Eu fui e é um lugar que me encanta.
Luxo pra você é?
Eu penso que é um luxo quando eu posso ficar sozinho comigo mesmo, mesmo que seja por 1 hora. Desligo o telefone, ligo o radio, coço o ouvido, faço minhas coisas. Isso para mim é luxo, quando estou comigo mesmo, e só.
O que é preciso para ser um bom bailarino?
Bom, primeiro ser amador. A dança está no sangue. Se você pensar, nas tribos primitivas, sejam africanas, brasileiras, e nas que ainda existem, têm os rituais e boa parte da comunicação é feita através da dança. Todos nós já nascemos sabendo dançar, só precisamos de alguém que nos dê a memória de como é essa coisa corporal, o estado de como chegamos a ficar ereto, de pé... E tecnicamente falando, uma boa aula de balé clássico. Então resumindo, é preciso ser um apaixonado e ter uma boa professora de balé clássico!
Seu desejo pra hoje?
Eu desejo os parabéns para Helbert Pimenta! Risos...(É seu aniversário). Nossa, mas agora falando sério, essa pergunta é confusa! Eu não sei. Acho que realizar um bom trabalho e evoluir na minha profissão, a arte! Que eu comece tudo de novo hoje.
Como você se vê nos próximos 10 anos?
Além de mais velho e de cabelo branco, tentando chegar perto de um artista completo. Que eu já tenha uma boa experiência para entender mais sobre a arte! Dez anos dá tempo né?


Fotos Espetáculos: José Luiz Pederneiras/Divulgação
Foto Helbert na Grécia: Arquivo Pessoal